O TEPT, o burnout ou a EM/SFC reduzem a VFC?

Em média, as três condições se associam a uma variabilidade da frequência cardíaca (VFC) vagal menor. Em estudos reunidos, pessoas com TEPT tiveram RMSSD e potência de alta frequência menores em repouso e frequência cardíaca mais alta. Em 410 adultos, o componente de exaustão do burnout, e não o cinismo nem a menor realização, se associou a RMSSD menor. Na EM/SFC, uma metanálise de 64 estudos encontrou frequência cardíaca em repouso cerca de 4 batimentos por minuto mais alta e VFC de alta frequência menor. Cada um é um padrão em grupos, não um exame.

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Pontos principais

  • TEPT: RMSSD e VFC de alta frequência menores em repouso, uma queda de tamanho médio no SDNN e frequência cardíaca em repouso mais alta, em estudos reunidos.
  • Burnout: em 410 adultos, a exaustão se associou a RMSSD menor, o que não ocorreu com o cinismo nem com a menor realização.
  • EM/SFC: frequência cardíaca em repouso cerca de 4 batimentos por minuto mais alta, potência HF menor e maior aumento da frequência cardíaca ao ficar em pé, em 64 estudos.
  • O mesmo padrão de VFC vagal menor aparece na depressão, na ansiedade, no sono ruim e na sobrecarga do dia a dia, por isso o valor não consegue distingui-los.
  • O que ajuda é o tratamento, o sono e a regulação do ritmo de atividade (pacing); o valor serve para acompanhar, não para diagnosticar.

Em média, sim, nos três. Em estudos reunidos, pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) tiveram menor RMSSD RMSSD Raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças sucessivas: medida de VFC calculada a partir de quanto cada intervalo entre batimentos difere do seguinte, em milissegundos. Reflete principalmente a atividade vagal. Mais sobre RMSSD e menor variabilidade da frequência cardíaca (VFC) de alta frequência em repouso e frequência cardíaca mais alta (Schneider e Schwerdtfeger, 2020). Em 410 adultos, o componente de exaustão do burnout se associou a menor RMSSD (Kanthak e colaboradores, 2017). Na encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica (EM/SFC), uma metanálise que reuniu 64 estudos encontrou frequência cardíaca em repouso Frequência cardíaca em repouso Quantas vezes por minuto o coração bate quando você está em repouso completo. Em adultos, costuma ficar entre 60 e 100 batimentos por minuto, e é menor em atletas bem treinados. Mais sobre Frequência cardíaca em repouso cerca de 4 batimentos por minuto mais alta e VFC de alta frequência menor (Nelson e colaboradores, 2019). Cada um é um padrão observado em grupos e não serve de exame para ninguém.

TEPT

A metanálise de 2020 reuniu estudos que compararam pessoas com TEPT e controles saudáveis:

  • Em repouso: RMSSD e potência de alta frequência Potência HF A variância dos intervalos entre os batimentos que cai na banda de 0,15 a 0,40 Hz, em ms²: a faixa da respiração normal. Reflete principalmente a atividade vagal quando a respiração é de 9 a 24 por minuto. Mais sobre Potência HF menores, o que os autores interpretam como menor atividade parassimpática; uma queda de tamanho médio no SDNN SDNN O desvio padrão de todos os intervalos NN de um registro, em milissegundos. Mede a variabilidade global, e o valor depende muito da duração do registro. Mais sobre SDNN , ou seja, menos variabilidade global; uma queda pequena na potência de baixa frequência Potência LF A variância dos intervalos entre batimentos que cai na banda de 0,04 a 0,15 Hz, em ms²: ritmos que se repetem a cada 7 a 25 segundos. Já foi lida como atividade simpática, leitura hoje contestada. Mais sobre Potência LF ; uma razão LF/HF Razão LF/HF Potência LF dividida pela potência HF, sem unidade. Foi proposta como medida do equilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático, mas as pesquisas mostram que ela não consegue medi-lo de forma confiável. Mais sobre Razão LF/HF maior; e frequência cardíaca mais alta.
  • Sob estresse: frequência cardíaca mais alta e VFC de alta frequência menor do que nos controles, ambos efeitos pequenos.

Os autores concluíram que o TEPT está associado a disfunção autonômica. O tamanho das diferenças variou com o desenho dos estudos, com a forma de avaliar o TEPT e com quem foi estudado, o que lembra que “TEPT” abrange pessoas e histórias muito diferentes.

Burnout

O burnout costuma ser descrito por três componentes: exaustão emocional, cinismo em relação ao trabalho e sensação de menor realização. O Dresden Burnout Study mediu o RMSSD de 410 adultos (idade média de 42 anos) durante uma coleta de sangue, um período de recuperação e um repouso na posição sentada. Só a exaustão se associou a RMSSD menor, durante a coleta de sangue e em repouso, depois de levar em conta a idade e a massa corporal. O cinismo e a menor realização não. A mesma análise encontrou o RMSSD associado aos sintomas de depressão parecidos com os do burnout, mas não às características centrais da depressão, como o humor rebaixado. Os autores sugeriram que a função vagal reduzida acompanha a própria exaustão, qualquer que seja o nome que se dê a ela (Kanthak e colaboradores, 2017).

Isso importa para interpretar os seus dados. Uma VFC baixa com exaustão é compatível com burnout, mas também com sono curto, excesso de treinamento (overtraining), doença e depressão. Veja A depressão reduz a VFC? e VFC e estresse: o que ela mostra e o que não mostra.

EM/SFC

A metanálise de 2019 reuniu 64 estudos sobre medidas cardíacas na EM/SFC em comparação com controles saudáveis. As pessoas com EM/SFC tiveram:

  • frequência cardíaca em repouso cerca de 4 batimentos por minuto mais alta
  • maior aumento da frequência cardíaca ao ficar em pé e durante o teste de inclinação (head-up tilt)
  • menor participação da alta frequência na VFC em repouso e razão LF/HF maior
  • frequência cardíaca máxima menor durante o exercício, em cerca de 14 batimentos por minuto

Os autores concluíram que a EM/SFC se associa a um controle autonômico alterado do coração e que essas alterações podem fazer parte da doença, e não ser uma causa dela. Os achados ortostáticos se sobrepõem ao que se vê na síndrome da taquicardia postural (POTS); veja A VFC consegue acompanhar a COVID longa ou a POTS?

Como interpretar os seus dados

  1. Trate o valor como um modo de acompanhar, não como um veredito. Uma VFC vagal menor é comum a muitos tipos de sobrecarga. Ela não distingue TEPT de burnout nem de um mês ruim.
  2. Use médias semanais ao longo de meses. O ruído de um dia para o outro é grande. Uma subida lenta junto com o tratamento, um sono melhor e menos carga é a comparação adequada; a aula Linha de base da VFC e como ler tendências mostra como.
  3. Regule o ritmo de atividade (pacing), se você tem EM/SFC. Muitas pessoas com EM/SFC usam a frequência cardíaca e a VFC para evitar o esforço excessivo e a piora intensa que se segue a ele. Uma medição matinal bem abaixo da faixa habitual é uma das informações para decidir por um dia mais tranquilo, junto com o modo como você se sente.
  4. Considere a respiração lenta. Em 58 ensaios randomizados, o biofeedback de VFC Biofeedback de VFC Prática de respiração em que você acompanha a frequência cardíaca em tempo real e respira devagar, muitas vezes perto de 6 respirações por minuto, para que ela suba e desça o máximo possível a cada respiração. Mais sobre Biofeedback de VFC teve um efeito combinado de pequeno a moderado, maior para ansiedade e depressão e menor para o TEPT (Lehrer e colaboradores, 2020). Ele pode ser usado junto com o tratamento, não no lugar dele. Veja Exercícios de respiração podem aumentar a VFC?

Quando conversar com um médico

Se flashbacks, pesadelos, estado de alerta constante, exaustão que o descanso não resolve ou uma piora depois de pequenos esforços durarem semanas, converse com um médico ou com um profissional de saúde mental. Não mude nenhum tratamento por causa de uma medição do relógio ou do anel. Procure ajuda imediatamente se tiver pensamentos de se machucar. A VFC não permite diagnosticar nada, e esta página não é orientação médica.

Perguntas frequentes

Minha VFC está baixa e sinto exaustão. É burnout?

O número não consegue dizer. A exaustão por qualquer causa, incluindo sono curto, doença, excesso de treinamento ou depressão, se associa a uma VFC vagal menor. Se a exaustão, o cinismo em relação ao trabalho e a sensação de ineficácia já duram semanas, converse com um médico ou com um profissional de saúde mental.

A VFC pode acompanhar a recuperação do TEPT ou do burnout?

Ela pode mostrar uma subida lenta junto com o tratamento, um sono melhor e menos carga, mas o ruído de um dia para o outro é grande. Médias semanais ao longo de meses são a única comparação adequada, e o modo como você se sente e funciona no dia a dia importa mais.

O biofeedback de VFC ajuda no TEPT?

Em 58 ensaios randomizados reunidos, o biofeedback com respiração lenta teve um efeito combinado de pequeno a moderado, maior para ansiedade e depressão e menor para o TEPT. É um possível complemento ao tratamento, não um substituto.

Fontes

  1. Autonomic dysfunction in posttraumatic stress disorder indexed by heart rate variability: a meta-analysis Psychological Medicine, 2020
  2. Autonomic dysregulation in burnout and depression: evidence for the central role of exhaustion Scandinavian Journal of Work, Environment and Health, 2017
  3. Evidence of altered cardiac autonomic regulation in myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome: A systematic review and meta-analysis Medicine, 2019
  4. Heart Rate Variability Biofeedback Improves Emotional and Physical Health and Performance: A Systematic Review and Meta Analysis Applied Psychophysiology and Biofeedback, 2020