Padrões e principais referências da VFC

Cada página do hrv.expert lista as suas próprias fontes. Estes são os padrões e as revisões em que todo o site se apoia para definir, medir e interpretar a variabilidade da frequência cardíaca (VFC).

Última atualização:

Quando uma página define uma medida como o RMSSD, o SDNN ou a potência HF (alta frequência), ela segue o documento de padrões de 1996 da Sociedade Europeia de Cardiologia e da Sociedade Norte-Americana de Estimulação e Eletrofisiologia (Task Force), apresentado abaixo. Quando um trabalho mais recente mudou a forma de interpretar uma medida, como no caso da razão LF/HF, a página diz isso e cita esse trabalho. A nossa política editorial explica como escolhemos e conferimos as fontes.

Os valores de referência por idade e sexo que o nosso Verificador de VFC usa estão listados linha por linha, com download em CSV, no nosso conjunto de dados de valores de referência da VFC.

Padrões e diretrizes de medição

Estes documentos definem as medidas de VFC, como registrá-las e como apresentar os resultados.

  1. Fixou as definições ainda usadas para as principais medidas de VFC (SDNN, RMSSD, pNN50, LF, HF e LF/HF), as bandas de frequência, o registro de curta duração de 5 minutos e a necessidade de limpar os dados dos batimentos antes da análise. Foi publicado ao mesmo tempo no European Heart Journal (1996;17:354–381).

    Task Force of the European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology. Heart rate variability: standards of measurement, physiological interpretation and clinical use. Circulation 1996;93(5):1043–1065. doi:10.1161/01.CIR.93.5.1043

  2. Relatório de um comitê da Society for Psychophysiological Research sobre a origem da VFC, como quantificá-la e as armadilhas ao interpretá-la.

    Berntson GG, Bigger JT Jr, Eckberg DL, et al. Heart rate variability: origins, methods, and interpretive caveats. Psychophysiology 1997;34(6):623–648. doi:10.1111/j.1469-8986.1997.tb02140.x

  3. Documento de posicionamento europeu que revisa os métodos não lineares de VFC desenvolvidos desde 1996 e conclui que o uso clínico deles ainda é limitado.

    Sassi R, Cerutti S, Lombardi F, et al. Advances in heart rate variability signal analysis: joint position statement by the e-Cardiology ESC Working Group and the European Heart Rhythm Association co-endorsed by the Asia Pacific Heart Rhythm Society. Europace 2015;17(9):1341–1353. doi:10.1093/europace/euv015

  4. Recomendações práticas para planejar estudos de VFC, analisar os dados e apresentar os resultados, com foco em medidas mediadas pelo nervo vago, como o RMSSD e a potência HF.

    Laborde S, Mosley E, Thayer JF. Heart rate variability and cardiac vagal tone in psychophysiological research: recommendations for experiment planning, data analysis, and data reporting. Frontiers in Psychology 2017;8:213. doi:10.3389/fpsyg.2017.00213

  5. Uma lista de verificação com as etapas padrão para coletar e analisar a VFC, escrita para a cardiologia e a reabilitação cardíaca.

    Catai AM, Pastre CM, Godoy MF, et al. Heart rate variability: are you using it properly? Standardisation checklist of procedures. Brazilian Journal of Physical Therapy 2020;24(2):91–102. doi:10.1016/j.bjpt.2019.02.006

  6. O relatório atualizado do comitê da Society for Psychophysiological Research sobre a medição da frequência cardíaca e da VFC com ECG e com sensores ópticos (PPG), com listas de verificação para apresentar os resultados.

    Quigley KS, Gianaros PJ, Norman GJ, et al. Publication guidelines for human heart rate and heart rate variability studies in psychophysiology, Part 1: physiological underpinnings and foundations of measurement. Psychophysiology 2024;61(9):e14604. doi:10.1111/psyp.14604

  7. Uma diretriz atualizada para registrar e analisar a frequência cardíaca e a VFC em repouso e no trabalho, incluindo o controle de qualidade, voltada à medicina do trabalho.

    Sammito S, Thielmann B, Klussmann A, et al. Guideline for the application of heart rate and heart rate variability in occupational medicine and occupational health science. Journal of Occupational Medicine and Toxicology 2024;19:15. doi:10.1186/s12995-024-00414-9

O que as medidas refletem

Revisões que explicam cada medida e corrigem interpretações equivocadas comuns.

  1. Visão geral das medidas de VFC no domínio do tempo, no domínio da frequência e não lineares, do que se acredita que cada uma reflita e dos valores normativos publicados.

    Shaffer F, Ginsberg JP. An overview of heart rate variability metrics and norms. Frontiers in Public Health 2017;5:258. doi:10.3389/fpubh.2017.00258

  2. Revisa a anatomia do coração e o seu controle nervoso, incluindo por que os sinais vagais mudam a frequência cardíaca no espaço de um segundo e os simpáticos levam vários segundos.

    Shaffer F, McCraty R, Zerr CL. A healthy heart is not a metronome: an integrative review of the heart’s anatomy and heart rate variability. Frontiers in Psychology 2014;5:1040. doi:10.3389/fpsyg.2014.01040

  3. Mostrou que as medidas habituais do gráfico de Poincaré, incluindo SD1 e SD2, captam as mesmas características lineares das medidas de VFC que já existiam.

    Brennan M, Palaniswami M, Kamen P. Do existing measures of Poincaré plot geometry reflect nonlinear features of heart rate variability? IEEE Transactions on Biomedical Engineering 2001;48(11):1342–1347. doi:10.1109/10.959330

  4. Mostrou que SD1 e RMSSD são a mesma medida, exceto por um fator de escala fixo, e por isso não devem ser apresentados como achados separados.

    Ciccone AB, Siedlik JA, Wecht JM, et al. Reminder: RMSSD and SD1 are identical heart rate variability metrics. Muscle & Nerve 2017;56(4):674–678. doi:10.1002/mus.25573

  5. Argumentou que a razão LF/HF não consegue medir o balanço entre os sistemas simpático e parassimpático.

    Billman GE. The LF/HF ratio does not accurately measure cardiac sympatho-vagal balance. Frontiers in Physiology 2013;4:26. doi:10.3389/fphys.2013.00026

  6. Concluiu que a potência LF reflete a função do barorreflexo, que estabiliza a pressão arterial, e não o tônus simpático.

    Goldstein DS, Bentho O, Park MY, Sharabi Y. Low-frequency power of heart rate variability is not a measure of cardiac sympathetic tone but may be a measure of modulation of cardiac autonomic outflows by baroreflexes. Experimental Physiology 2011;96(12):1255–1261. doi:10.1113/expphysiol.2010.056259

Valores normais

Dados de referência para registros curtos em adultos saudáveis.

  1. Reuniu valores de VFC de curta duração de 44 estudos com 21.438 adultos saudáveis e constatou que eram mais baixos do que os valores dos padrões de 1996.

    Nunan D, Sandercock GRH, Brodie DA. A quantitative systematic review of normal values for short-term heart rate variability in healthy adults. Pacing and Clinical Electrophysiology 2010;33(11):1407–1417. doi:10.1111/j.1540-8159.2010.02841.x

  2. Apresentou valores de VFC de 5 minutos por idade e sexo em 1.906 adultos saudáveis de 25 a 74 anos, de um estudo populacional alemão.

    Voss A, Schroeder R, Heitmann A, et al. Short-term heart rate variability: influence of gender and age in healthy subjects. PLOS ONE 2015;10(3):e0118308. doi:10.1371/journal.pone.0118308

  3. Uma metanálise de 172 estudos sobre como a VFC difere entre mulheres e homens saudáveis.

    Koenig J, Thayer JF. Sex differences in healthy human heart rate variability: a meta-analysis. Neuroscience and Biobehavioral Reviews 2016;64:288–310. doi:10.1016/j.neubiorev.2016.03.007

Qualidade dos dados e dispositivos

Como batimentos ruins e o tipo de sensor mudam os números.

  1. Explica como os batimentos ectópicos e os erros de registro distorcem a VFC e compara as formas de editar os dados dos batimentos.

    Peltola MA. Role of editing of R–R intervals in the analysis of heart rate variability. Frontiers in Physiology 2012;3:148. doi:10.3389/fphys.2012.00148

  2. Um método automático para encontrar e corrigir batimentos perdidos, extras e mal posicionados em dados batimento a batimento.

    Lipponen JA, Tarvainen MP. A robust algorithm for heart rate variability time series artefact correction using novel beat classification. Journal of Medical Engineering & Technology 2019;43(3):173–181. doi:10.1080/03091902.2019.1640306

  3. Revisou estudos que comparam a variabilidade da frequência de pulso (PRV, na sigla em inglês) obtida com sensores ópticos (PPG) com a VFC obtida a partir do ECG, e quando uma pode substituir a outra.

    Schäfer A, Vagedes J. How accurate is pulse rate variability as an estimate of heart rate variability? A review on studies comparing photoplethysmographic technology with an electrocardiogram. International Journal of Cardiology 2013;166(1):15–29. doi:10.1016/j.ijcard.2012.03.119

Saúde, treinamento e respiração

Trabalhos clássicos e revisões em que se apoiam as páginas sobre aplicações práticas.

  1. Entre 808 pessoas que sobreviveram a um infarto, as que tinham SDNN de 24 horas abaixo de 50 ms apresentaram, durante o seguimento, risco de morte 5,3 vezes maior do que as que tinham mais de 100 ms.

    Kleiger RE, Miller JP, Bigger JT Jr, Moss AJ. Decreased heart rate variability and its association with increased mortality after acute myocardial infarction. American Journal of Cardiology 1987;59(4):256–262. doi:10.1016/0002-9149(87)90795-8

  2. Explica como o lnRMSSD médio pode ser usado para acompanhar o treinamento de atletas de resistência de elite.

    Plews DJ, Laursen PB, Stanley J, et al. Training adaptation and heart rate variability in elite endurance athletes: opening the door to effective monitoring. Sports Medicine 2013;43(9):773–781. doi:10.1007/s40279-013-0071-8

  3. Revisa as medidas de frequência cardíaca e de VFC para monitorar o treinamento e explica por que médias de vários dias funcionam melhor do que medições isoladas.

    Buchheit M. Monitoring training status with HR measures: do all roads lead to Rome? Frontiers in Physiology 2014;5:73. doi:10.3389/fphys.2014.00073

  4. Revisa como funciona o biofeedback de VFC a cerca de 6 respirações por minuto, com o barorreflexo como a explicação mais bem respaldada.

    Lehrer PM, Gevirtz R. Heart rate variability biofeedback: how and why does it work? Frontiers in Psychology 2014;5:756. doi:10.3389/fpsyg.2014.00756