Por que a VFC é diferente no verão e no inverno?

A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) segue um relógio biológico de 24 horas, que a deixa mais alta à noite e mais baixa de dia, e muda um pouco com as estações. As fontes divergem sobre qual estação tem VFC mais alta, e a diferença é pequena: em um estudo com 120 homens, o RMSSD diferiu em cerca de 3 ms entre o verão e o inverno. A maior parte do que você vê vem do que muda com a estação, como treino, calor, sono e resfriados.

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Pontos principais

  • A VFC segue um relógio de 24 horas: a VFC vagal tende a ser mais alta à noite e mais baixa durante o dia.
  • As diferenças sazonais são pequenas. Em um estudo com 120 homens saudáveis, o RMSSD diferiu em cerca de 3 ms entre o verão e o inverno.
  • Os estudos e quem usa aplicativos há anos divergem sobre qual estação tem VFC mais alta; por isso, não há uma regra sazonal fixa.
  • A maior parte da mudança sazonal vem do que muda com a estação: treino, calor, luz, sono e doenças.
  • Compare cada estação com a linha de base recente e mantenha fixo o horário da medição.

Dois relógios fazem a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) variar. Um relógio biológico Ritmo circadiano O relógio de 24 horas do corpo. À noite, a frequência cardíaca é mais baixa e a VFC vagal, mais alta do que de dia; por isso, as medições só são comparáveis quando feitas no mesmo horário. Mais sobre Ritmo circadiano de 24 horas deixa a VFC vagal mais alta à noite e mais baixa de dia, e uma deriva sazonal mais lenta a desloca um pouco ao longo do ano. A parte sazonal é pequena: em um estudo com 120 homens saudáveis, o RMSSD RMSSD Raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças sucessivas: medida de VFC calculada a partir de quanto cada intervalo entre batimentos difere do seguinte, em milissegundos. Reflete principalmente a atividade vagal. Mais sobre RMSSD diferiu em cerca de 3 ms entre o verão e o inverno. A maior parte do que você nota vem do que muda com a estação.

O relógio diário

O corpo funciona com um relógio de cerca de 24 horas, que marca o ritmo do sono, da temperatura, dos hormônios e da frequência cardíaca. A potência HF Potência HF A variância dos intervalos entre os batimentos que cai na banda de 0,15 a 0,40 Hz, em ms²: a faixa da respiração normal. Reflete principalmente a atividade vagal quando a respiração é de 9 a 24 por minuto. Mais sobre Potência HF (alta frequência), a parte da VFC ligada à respiração, tende a subir à noite e a cair durante o dia (Shaffer e Ginsberg, 2017). O relógio continua marcando o tempo mesmo quando o sono é deslocado. Boudreau e colaboradores (2013) mantiveram 13 adultos jovens em ciclos curtos de sono e vigília, isolados de qualquer indicação de horário, por 72 horas: a frequência cardíaca e a potência HF ainda seguiram um ritmo circadiano, e a atividade vagal Tônus vagal A influência contínua do nervo vago sobre o coração, que o desacelera. Costuma ser estimada a partir de medidas de VFC, como o RMSSD e a potência HF. Mais sobre Tônus vagal no sono profundo atingiu o pico por volta das 02:00.

É por isso que o horário da medição importa mais do que qualquer outra coisa nesta página. Tanto uma medição matinal logo depois de acordar quanto uma média noturna servem, desde que você mantenha sempre a mesma.

O modelo abaixo constrói um dia simulado com uma oscilação de 24 horas na frequência cardíaca. Em uma janela de 5 minutos, o SDNN SDNN O desvio padrão de todos os intervalos NN de um registro, em milissegundos. Mede a variabilidade global, e o valor depende muito da duração do registro. Mais sobre SDNN é de cerca de 30 ms; se você esticar a janela para 24 horas, a oscilação entre dia e noite o leva a perto de três vezes esse valor, enquanto o RMSSD quase não se altera.

Por quanto tempo registrar?

Um dia simulado, não uma pessoa

RMSSD
37,2 ms
SDNN
29,7 ms
Batimentos na janela
327

Em 5 min, o RMSSD é 37,2 ms e o SDNN, 29,7 ms. Este é o padrão de curta duração.

O controle deslizante funciona quando o JavaScript está ativado.

RMSSD e SDNN em janelas de 10 segundos a 24 horas de um dia simulado, todas começando às 7:00. O RMSSD se estabiliza em um ou dois minutos; o SDNN continua crescendo porque janelas mais longas contêm ritmos mais lentos. Daí vem a regra da Task Force: medidas de registros de durações diferentes não são comparáveis.

Um gráfico do RMSSD e do SDNN em função da duração do registro, em eixo logarítmico de 10 segundos a 24 horas. A linha do RMSSD fica perto de 37 ms em todas as durações. A linha do SDNN fica perto de 30 ms até alguns minutos e sobe até cerca de 84 ms em 24 horas. Marcas tracejadas indicam as durações mínimas: 1 minuto para a banda HF, 2 minutos para a LF, 5 minutos para o padrão de curta duração e a banda VLF, 20 minutos para a DFA α2 e 24 horas para a ULF e o SDNN de longa duração. Um controle deslizante escolhe a duração da janela, e indicadores mostram o RMSSD, o SDNN e o número de batimentos na janela.

As estações

Kristal-Boneh e colaboradores (2000) registraram 24 horas de batimentos em 120 homens saudáveis, uma vez no verão e outra no inverno. O intervalo médio entre os batimentos foi o mesmo nas duas estações, mas todas as medidas de VFC diferiram: o RMSSD em cerca de 3 ms e a dispersão das médias de 5 minutos em cerca de 14 ms. São mudanças pequenas diante do ruído normal de um dia para o outro. Mesmo esse estudo não é claro quanto à direção: o resumo diz, em uma frase, que a VFC é mais baixa no verão e, na conclusão, que é mais baixa no inverno.

Nem todas as fontes concordam quanto à direção. Marco Altini, o cientista por trás do aplicativo HRV4Training, escreve que a VFC “tende a ser mais alta nos meses de verão” e observa que o tempo melhor também pode significar mais treino. As estações deslocam um pouco a VFC, a direção varia entre pessoas e lugares, e não existe uma regra sazonal fixa para fazer correções.

O que muda com a estação

As coisas que mudam com o calendário explicam melhor uma mudança sazonal nos próprios dados:

  • Calor. Uma onda de calor repentina costuma reduzir a VFC por alguns dias; a exposição repetida ao calor leva à adaptação (Altini, 2025).
  • Treino. O tempo melhor pode significar mais treino (Altini, 2025), e muitos esportes seguem uma temporada de provas.
  • Luz e sono. Noites mais curtas no verão e manhãs mais escuras no inverno deslocam os horários de dormir e de acordar.
  • Doença. Resfriados e gripes são mais comuns no inverno, e a doença reduz a VFC por dias.
Para saber mais Por que os ritmos lentos exigem um registro longo

A oscilação entre dia e noite faz parte da banda de ultrabaixa frequência da VFC, abaixo de 0,003 Hz. Ela só pode ser medida em um registro de 24 horas ou mais (Shaffer e Ginsberg, 2017). Uma medição matinal curta não a enxerga de forma alguma; só mostra em que ponto do relógio você mediu.

Como ler a tendência ao longo das estações

  1. Mantenha fixos o horário e a posição da medição o ano todo.
  2. Avalie cada semana em relação à linha de base Linha de base O seu nível habitual de VFC e a faixa em que ela costuma variar, obtidos de semanas de medições feitas sempre do mesmo modo. Comparar uma medição com a sua linha de base diz mais do que compará-la com a de outras pessoas. Mais sobre Linha de base recente, e não em relação ao verão passado.
  3. Quando a média mudar com a estação, procure o que mudou na rotina ao mesmo tempo: treino, calor, sono ou um resfriado.
  4. Se uma queda vier com mal-estar por mais de alguns dias, ou com sintomas como dor no peito ou falta de ar, converse com um médico; a VFC não permite saber a causa.

Para saber por que as medições oscilam de um dia para o outro, veja Por que a VFC muda tanto de um dia para o outro?

Perguntas frequentes

Preciso redefinir a linha de base a cada estação?

Não é preciso fazer isso manualmente. Uma linha de base móvel das últimas semanas, que a maioria dos aplicativos usa, se ajusta sozinha. Compare as medições desta estação com as das últimas semanas, e não com as do mesmo mês do ano passado.

Por que a VFC fica mais baixa em uma onda de calor?

Um calor repentino costuma reduzir a VFC por alguns dias, e depois o corpo se adapta. Marco Altini descreve uma queda grande depois de se mudar para um lugar mais quente e nenhuma queda em uma onda de calor posterior, quando já estava acostumado.

O horário do dia importa mais do que a estação?

Sim. A oscilação entre dia e noite é maior do que a variação sazonal. Uma medição às 7:00 e outra à noite não são comparáveis; por isso, fixar o horário da medição importa mais do que qualquer outra coisa aqui.

Fontes

  1. Circadian variation of heart rate variability across sleep stages Sleep, 2013
  2. Summer-winter differences in 24 h variability of heart rate Journal of Cardiovascular Risk, 2000
  3. An Overview of Heart Rate Variability Metrics and Norms Frontiers in Public Health, 2017
  4. The Heat and Heart Rate Variability (HRV) Marco Altini, 2025