Dois relógios fazem a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) variar. Um relógio biológico Ritmo circadiano O relógio de 24 horas do corpo. À noite, a frequência cardíaca é mais baixa e a VFC vagal, mais alta do que de dia; por isso, as medições só são comparáveis quando feitas no mesmo horário. Mais sobre Ritmo circadiano de 24 horas deixa a VFC vagal mais alta à noite e mais baixa de dia, e uma deriva sazonal mais lenta a desloca um pouco ao longo do ano. A parte sazonal é pequena: em um estudo com 120 homens saudáveis, o RMSSD RMSSD Raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças sucessivas: medida de VFC calculada a partir de quanto cada intervalo entre batimentos difere do seguinte, em milissegundos. Reflete principalmente a atividade vagal. Mais sobre RMSSD diferiu em cerca de 3 ms entre o verão e o inverno. A maior parte do que você nota vem do que muda com a estação.
O relógio diário
O corpo funciona com um relógio de cerca de 24 horas, que marca o ritmo do sono, da temperatura, dos hormônios e da frequência cardíaca. A potência HF Potência HF A variância dos intervalos entre os batimentos que cai na banda de 0,15 a 0,40 Hz, em ms²: a faixa da respiração normal. Reflete principalmente a atividade vagal quando a respiração é de 9 a 24 por minuto. Mais sobre Potência HF (alta frequência), a parte da VFC ligada à respiração, tende a subir à noite e a cair durante o dia (Shaffer e Ginsberg, 2017). O relógio continua marcando o tempo mesmo quando o sono é deslocado. Boudreau e colaboradores (2013) mantiveram 13 adultos jovens em ciclos curtos de sono e vigília, isolados de qualquer indicação de horário, por 72 horas: a frequência cardíaca e a potência HF ainda seguiram um ritmo circadiano, e a atividade vagal Tônus vagal A influência contínua do nervo vago sobre o coração, que o desacelera. Costuma ser estimada a partir de medidas de VFC, como o RMSSD e a potência HF. Mais sobre Tônus vagal no sono profundo atingiu o pico por volta das 02:00.
É por isso que o horário da medição importa mais do que qualquer outra coisa nesta página. Tanto uma medição matinal logo depois de acordar quanto uma média noturna servem, desde que você mantenha sempre a mesma.
O modelo abaixo constrói um dia simulado com uma oscilação de 24 horas na frequência cardíaca. Em uma janela de 5 minutos, o SDNN SDNN O desvio padrão de todos os intervalos NN de um registro, em milissegundos. Mede a variabilidade global, e o valor depende muito da duração do registro. Mais sobre SDNN é de cerca de 30 ms; se você esticar a janela para 24 horas, a oscilação entre dia e noite o leva a perto de três vezes esse valor, enquanto o RMSSD quase não se altera.
Por quanto tempo registrar?
Um dia simulado, não uma pessoa
- RMSSD
- 37,2 ms
- SDNN
- 29,7 ms
- Batimentos na janela
- 327
Em 5 min, o RMSSD é 37,2 ms e o SDNN, 29,7 ms. Este é o padrão de curta duração.
O controle deslizante funciona quando o JavaScript está ativado.
Um gráfico do RMSSD e do SDNN em função da duração do registro, em eixo logarítmico de 10 segundos a 24 horas. A linha do RMSSD fica perto de 37 ms em todas as durações. A linha do SDNN fica perto de 30 ms até alguns minutos e sobe até cerca de 84 ms em 24 horas. Marcas tracejadas indicam as durações mínimas: 1 minuto para a banda HF, 2 minutos para a LF, 5 minutos para o padrão de curta duração e a banda VLF, 20 minutos para a DFA α2 e 24 horas para a ULF e o SDNN de longa duração. Um controle deslizante escolhe a duração da janela, e indicadores mostram o RMSSD, o SDNN e o número de batimentos na janela.
As estações
Kristal-Boneh e colaboradores (2000) registraram 24 horas de batimentos em 120 homens saudáveis, uma vez no verão e outra no inverno. O intervalo médio entre os batimentos foi o mesmo nas duas estações, mas todas as medidas de VFC diferiram: o RMSSD em cerca de 3 ms e a dispersão das médias de 5 minutos em cerca de 14 ms. São mudanças pequenas diante do ruído normal de um dia para o outro. Mesmo esse estudo não é claro quanto à direção: o resumo diz, em uma frase, que a VFC é mais baixa no verão e, na conclusão, que é mais baixa no inverno.
Nem todas as fontes concordam quanto à direção. Marco Altini, o cientista por trás do aplicativo HRV4Training, escreve que a VFC “tende a ser mais alta nos meses de verão” e observa que o tempo melhor também pode significar mais treino. As estações deslocam um pouco a VFC, a direção varia entre pessoas e lugares, e não existe uma regra sazonal fixa para fazer correções.
O que muda com a estação
As coisas que mudam com o calendário explicam melhor uma mudança sazonal nos próprios dados:
- Calor. Uma onda de calor repentina costuma reduzir a VFC por alguns dias; a exposição repetida ao calor leva à adaptação (Altini, 2025).
- Treino. O tempo melhor pode significar mais treino (Altini, 2025), e muitos esportes seguem uma temporada de provas.
- Luz e sono. Noites mais curtas no verão e manhãs mais escuras no inverno deslocam os horários de dormir e de acordar.
- Doença. Resfriados e gripes são mais comuns no inverno, e a doença reduz a VFC por dias.
Para saber mais Por que os ritmos lentos exigem um registro longo
A oscilação entre dia e noite faz parte da banda de ultrabaixa frequência da VFC, abaixo de 0,003 Hz. Ela só pode ser medida em um registro de 24 horas ou mais (Shaffer e Ginsberg, 2017). Uma medição matinal curta não a enxerga de forma alguma; só mostra em que ponto do relógio você mediu.
Como ler a tendência ao longo das estações
- Mantenha fixos o horário e a posição da medição o ano todo.
- Avalie cada semana em relação à linha de base Linha de base O seu nível habitual de VFC e a faixa em que ela costuma variar, obtidos de semanas de medições feitas sempre do mesmo modo. Comparar uma medição com a sua linha de base diz mais do que compará-la com a de outras pessoas. Mais sobre Linha de base recente, e não em relação ao verão passado.
- Quando a média mudar com a estação, procure o que mudou na rotina ao mesmo tempo: treino, calor, sono ou um resfriado.
- Se uma queda vier com mal-estar por mais de alguns dias, ou com sintomas como dor no peito ou falta de ar, converse com um médico; a VFC não permite saber a causa.
Para saber por que as medições oscilam de um dia para o outro, veja Por que a VFC muda tanto de um dia para o outro?