Coativação

Outros nomes: coinibição, espaço autonômico

Situação em que os dois ramos do sistema nervoso autônomo sobem, ou descem, ao mesmo tempo. Eles não funcionam como uma gangorra, então um único valor de VFC não situa você em uma só escala.

A imagem habitual do sistema nervoso é a de uma gangorra: mais “ luta ou fuga Sistema nervoso simpático O ramo de “luta ou fuga” do sistema nervoso autônomo. Acelera o coração e o faz bombear com mais força, mas age devagar demais para comandar a VFC de um batimento ao outro. Mais sobre Sistema nervoso simpático ” significa menos “ repouso e digestão Sistema nervoso parassimpático O ramo de “repouso e digestão” do sistema nervoso autônomo. Desacelera o coração, principalmente pelo nervo vago, e comanda a maior parte da variação batimento a batimento da VFC. Mais sobre Sistema nervoso parassimpático ”, e vice-versa. Berntson, Cacioppo e Quigley (1991) mostraram que essa imagem é simples demais. Os modos de atuação dos dois ramos não ficam em uma única linha entre o parassimpático e o simpático; eles se distribuem por um “espaço autonômico” de duas dimensões. Cada ramo pode subir ou descer por conta própria, e por isso são possíveis quatro padrões: um sobe e o outro desce (a gangorra), os dois sobem (coativação), os dois descem (coinibição) ou um muda enquanto o outro se mantém.

Por que isso importa para a variabilidade da frequência cardíaca (VFC).

  • Os rótulos de “equilíbrio” enganam. Uma pontuação de “equilíbrio” ou de “estresse” situa você em um ponto de uma única linha. Se os dois ramos sobem juntos, a frequência cardíaca pode quase não mudar, embora o freio e o acelerador estejam, os dois, trabalhando mais.
  • As velocidades diferem. O freio age em menos de um segundo; o acelerador começa a agir com um atraso de até 5 segundos e leva de 20 a 30 segundos para atingir o efeito máximo (Shaffer, McCraty e Zerr, 2014). Quando os dois são acionados ao mesmo tempo, o efeito do freio aparece primeiro e o do acelerador predomina depois, como mostra o botão “Os dois ao mesmo tempo” abaixo.
  • Um único valor não distingue os casos. Uma VFC baixa pode vir de um freio fraco ou de um acelerador forte, e por isso a VFC é interpretada como tendência, junto com a frequência cardíaca em repouso Frequência cardíaca em repouso Quantas vezes por minuto o coração bate quando você está em repouso completo. Em adultos, costuma ficar entre 60 e 100 batimentos por minuto, e é menor em atletas bem treinados. Mais sobre Frequência cardíaca em repouso e com o modo como você se sente.

Com que rapidez cada nervo age

Um modelo didático, não uma medição

Atraso antes de começar a mudar
0,3 s
Tempo para 90% da mudança
1,5 s
Faixa da frequência
54 a 70 bpm

Toque no freio vagal e já os próximos batimentos chegam mais tarde. A desaceleração começa em uma fração de segundo e se completa em cerca de dois segundos. Solte o freio e a frequência volta com a mesma rapidez.

Os botões funcionam quando o JavaScript está ativado.

Frequência cardíaca por 50 segundos, com o nervo acionado do segundo 5 ao segundo 30 (sombreado). O freio vagal muda já o batimento seguinte; o acelerador leva segundos para começar e cerca de meio minuto para se estabilizar. Um modelo didático com tempos arredondados, não um registro.

Um gráfico de linhas da frequência cardíaca ao longo de 50 segundos, em repouso a 70 batimentos por minuto, com o acionamento sombreado de 5 a 30 segundos e uma marca sob o gráfico para cada batimento. Um toque no freio faz a frequência cair, e a queda se completa em cerca de 1,5 segundos; ela se recupera com a mesma rapidez quando o freio é solto. Pressionar o acelerador não faz nada por 3,0 segundos; depois a frequência sobe, se estabiliza após cerca de 21,4 segundos e volta devagar depois que ele é solto. Acionar os dois desacelera o coração primeiro e o acelera depois. Três botões escolhem o que acionar, e indicadores mostram o tempo até a primeira mudança e o tempo para se estabilizar.

A aula O sistema nervoso por trás da VFC trata dos dois ramos.

Fontes

  1. Autonomic determinism: the modes of autonomic control, the doctrine of autonomic space, and the laws of autonomic constraint Psychological Review, 1991
  2. A healthy heart is not a metronome: an integrative review of the heart's anatomy and heart rate variability Frontiers in Psychology, 2014

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